segunda-feira, 20 de abril de 2015

É preciso apenas uma pessoa parar!



Hoje aconteceu algo comigo e queria compartilhar com vocês.
Saí na parte da manhã para ir ao sacolão e comprar algo para preparar meu almoço. Descendo ainda meu quarteirão, atravessei a rua e vi na esquina uma mulher em pé ao lado de um homem caído no chão com um carinho de supermercado cheio de latinhas. 
Me aproximei e perguntei: "Está acontecendo alguma coisa?". "Sim" ela respondeu, dizendo que ele estava se sentindo mal, com tontura e me pediu água para ele. Como não sou médica, voltei para casa e trouxe a água gelada. Ela continuava sozinha com o homem e perguntei o que ela sabia. Ela disse que ele começou a passar mal ao tentar atravessar a rua e que havia dito que estava sem comer desde ontem à tarde. Sentia dor de cabeça e não tinha nenhuma doença nem tomava remédio. O sol estava forte e já era umas 11h. 
Resolvi descer para comprar comida para ele, pois não tinha nada em casa. 
Parei dois quarteirões à frente num pequeno restaurante e expliquei a situação a quem me atendeu e pedi para preparar um marmitex. 
Enquanto isso, desci correndo para o sacolão e comprei rapidamente o que precisava para meu almoço. Comprei um pacote de biscoito também pensando que ele poderia carregar quando conseguisse melhorar.
Retornei ao restaurante e a moça disse que subiu a rua onde eu havia dito, levou água para o moço e quando eu fui pagar o marmitex ela disse que não cobraria e ainda colocou um doce na sacola para ele.
Subi correndo para entregar a comida e a mesma moça estava lá ainda sozinha, e me disse que ia atrás de uma pessoa que ele conhecia e trabalhava ali perto para buscar uma ajuda.
Enquanto isso, fui conversando com ele para ver se ele conseguia se sentar, pois estava com olhos fechados. Uma senhorinha chegou com uma sacola com bananas, um sanduíche, um vidro com leite quentinho e mais uma garrafa de água. Fomos conversando com ele e ele foi despertando e conversando.
Daí duas meninas pararam e perguntaram se precisávamos de ajuda. Pedi mais água para ele. Fui tentando que ele conseguisse conversar para ver se estava consciente e comer alguma coisa, já que o mal estar poderia ser fome mesmo.
Neste tempo todo, estávamos numa esquina bem movimentada neste horário no bairro, onde tem sinal para carros inclusive. Carros e pessoas passando o tempo todo. Nenhum carro ofereceu ajuda nem perguntou nada. Pessoas passavam e parece que não viam o que acontecia. Interessante né! Poucas pararam e perguntaram ou ofereceram alguma coisa, todas MULHERES!
A mesma moça voltou dizendo que achou a conhecida do homem e que o mesmo era morador de rua, tinha crises de epilepsia e que viria logo onde ele estava, pois estava no trabalho. Realmente o moço estava já sentado mas o braço esquerdo tremia muito, talvez alguma questão neurológica mesmo.
Enquanto eu e a senhorinha estava com ele a moça foi numa unidade do corpo de bombeiros a um quarteirão dali, na av. Amazonas e voltou dizendo não que havia ninguém de plantão que pudesse socorrer. Parece que pelo menos acionaram a polícia militar e em alguns minutos dois policiais militares apareceram para ver o que estava acontecendo. Era um casal policial e colocaram o moço sentado e encostado na parede. Disseram que iriam chamar o Samu. Enquanto isso ele já estava comendo as bananas e começando o marmitex.
Em mais alguns minutos chegaram dois atendentes do Samu e foram atendendo o moço.
Fomos falando o que sabíamos até aquele momento e o que havíamos feito para ajudar e deixamos eles assumirem.
Neste momento aquela moça virou para mim e disse: "É preciso apenas uma pessoa parar!"
Pois é, enquanto a maioria  passava, via a cena e seguia sua vida, seus horários, algumas mulheres pararam e ajudaram. Até uma ambulância da Unimed passou, olhou e seguiu.
E o moço, já sendo atendido, parou de tremer e fiquei mais tranqüila. E só para constar, ele não cheirava a bebida, estava com roupa limpa, cabelo cortado, barba meio feita.
Então, "É PRECISO APENAS UMA PESSOA PARAR!"







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